Avaliação energética e de desempenho de frangos com aquecimento automático a gás e a lenha
fev 28th, 2010 | By Ricardo Ribeiro | Category: Conforto TérmicoNesta pesquisa foram analisados aquecimento automático infravermelho a gás e aquecimento automático a lenha, com três linhagens de frango, criados no período de 01/05/2005 a 16/06/2005, em aviários de 1200 m2 e abatidos com 45 dias de idade. Avaliaram-se o consumo e o custo energético de cada sistema e os seguintes índices zootécnicos: peso médio, mortalidade, conversão alimentar e consumo de ração. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em um modelo fatorial 2 x 3, constituído de dois sistemas de aquecimento e das três linhagens de frangos machos formando seis tratamentos com seis repetições, perfazendo o total de trinta e seis aviários com 13.300 aves cada um. Utilizou-se, para a análise estatística, o programa SISVAR 4.6 e se realizaram as comparações entre as médias através do teste de Tukey. Os resultados obtidos foram os seguintes: o consumo energético de lenha de 173,21 GJ por lote e o custo de R$ 3,23 e, para o do gás, foi de 20,26 GJ por lote e o custo de R$ 53,76. Em relação ao desempenho zootécnico, não houve diferença significativa entre os dois sistemas analisados, mas entre as linhagens ocorreu diferença significativa, com a linhagem Cobb apresentando 6,62%, maior peso médio e 1,04% maior mortalidade, quando comparada com aves da linhagem Ross 1.
INTRODUÇÃO
O melhoramento genético fez com que o frango de corte ganhasse 2,5 g h-1 de vida mas, para que isto ocorresse, foi conveniente oferecer boa nutrição, bom estado sanitário e condições adequadas de ambiente, dentro do aviário. Esses fatores constituem uma preocupação constante dos técnicos das empresas avícolas.
Devido às características do metabolismo intenso da ave, de toda energia consumida pelo frango somente 20% são carreados para o seu crescimento e os outros 80% se destinam à sua manutenção (Abreu & Abreu, 2004).
Observa-se que, apesar de se haver conquistado altos índices de produção, a instalação avícola é um dos pontos em que se exigem, atualmente, maiores preocupações, em se tratando do conforto térmico para frango de corte (Abreu & Abreu, 2001).
Como as aves são animais homeotermos e possuem um centro termorregulador no sistema nervoso central, o hipotálamo, que é um órgão que funciona como termostato fisiológico, controlando a produção e dissipação de calor através de diversos mecanismos, como o fluxo sanguíneo na pele, mudança na freqüência cardíaca e respiratória e modificação na taxa metabólica (Moro, 1995). O aparelho termorregulador das aves é pouco desenvolvido, tornando-as sensíveis ao frio quando jovens e ao calor quando adultas.
A capacidade de termorregulação da ave ao frio é maior que a capacidade para reagir ao calor, tanto que o limite inferior da zona de conforto da ave está em torno de 12 °C, ou seja, 30 °C abaixo de sua temperatura corporal e a temperatura limite superior é de 47 °C, apenas 5 °C acima de sua temperatura interna é letal para ela (Baião, 1995).
Pesquisas demonstram que a temperatura corporal de um pintinho de um dia é, em média, 1,7 °C menor que a temperatura corporal das aves adultas, mas com cinco dias de vida, atingem temperaturas corporais de 41,1 °C (Veste, 1997).
Para manter a temperatura relativamente constante para os órgãos vitais, o calor corporal deve ser conservado ou liberado, como resposta às mudanças do meio ambiente.
A maior taxa de formação de órgãos vitais, como coração, pulmão, sistema digestivo e imunológico, ocorre durante os primeiros 7 dias de vida dos pintos; para que este desenvolvimento seja normal, os pintos necessitam absorver todos os nutrientes e anticorpos contidos no saco embrionário; isto só ocorrerá se eles forem mantidos a uma temperatura em torno de 32 °C e ingerirem água e ração, pois se a temperatura for muito baixa eles permanecerão agrupados e encolhidos e não irão até os comedouros e bebedouros. Se os pintos sofrerem com o frio, o seu desenvolvimento será prejudicado, dar-se-á redução na taxa de ganho de peso e piora na conversão alimentar. Essas perdas normalmente não serão completamente recuperadas até o abate do lote de frangos (Conto, 2003).
Estudos demonstram que, em se expondo um pinto de um dia a curtos períodos de baixas temperaturas, pode ocorrer efeito negativo a longo prazo no desempenho da ave, no seu crescimento, conversão alimentar, aumentando a sua susceptibilidade às doenças (Czarick & Lacy, 1996).
Veste (1997) recomendou, para aves jovens na primeira semana de vida, temperaturas de 32,2 °C, para aviários com ambiente não controlado e temperaturas de 29,4 a 31 °C para aviários com ambiente totalmente controlado; desta forma, mantendo a temperatura de aquecimento nos níveis desejáveis e se atentando para as outras práticas de manejo, consegue-se manter o crescimento das aves em níveis adequados e a uniformidade do lote, além de melhorar a conversão alimentar.
É importante observar a temperatura da cama e não somente a temperatura do ar; recomenda-se, então, uma temperatura de cama de aproximadamente 29,4 °C para a primeira semana de vida das aves (Czarick & Lacy, 1996).
Para determinada faixa de temperatura efetiva, Abreu et al. (1998) relataram que a ave mantém constante a temperatura corporal com o mínimo esforço dos mecanismos temorreguladores; é a chamada zona de conforto térmico, em que não há sensação de frio ou de calor e o desempenho do animal é otimizado.
Na zona de conforto térmico a taxa metabólica é mínima e a homeotermia é mantida com menos gasto energético; assim, na zona de termoneutralidade a fração de energia metabolizável utilizada para a termogênese é mínima e a energia líquida de produção é máxima (Mount, 1979, apud Macari et al., 1994).
Um dos principais fatores que afetam a zona de conforto térmico é a idade do animal. Com o desenvolvimento do frango de corte a conseqüente maturação do sistema termorregulador e o aumento da atividade energética, a zona de conforto térmico é reduzida de 35 °C, com um dia de idade, para 24 °C, com quatro semanas de idade e para 21 a 22 °C, com seis semanas de idade (Macari et al., 1994).
O melhor indicativo da temperatura, segundo Marques (1994), é o próprio comportamento do pinto; é ele que estabelece, por seu comportamento, a adequação das condições térmicas do sistema de aquecimento. Pode haver locais sob a campânula em que a radiação é muito mais forte e os pintos se afastam, deixando espaços vazios; se existe muita aglomeração, trata-se de indício da necessidade de mais aquecimento; assim, a variação da temperatura da pele durante o estresse calórico, evidencia um aumento do fluxo sangüíneo para a superfície da ave para dissipação de calor, o qual é refletido pela maior temperatura da pele; contudo, quando a temperatura no interior do aviário está abaixo da ideal para os pintos, ocorre a piloereção, redução no fluxo sangüíneo cutâneo e aumenta a camada de ar que proporciona um isolamento maior da superfície da pele e eleva a produção metabólica de calor por termogênese, mediante tremores e não tremores. Neste sentido, e com o objetivo de reduzir a perda de calor, aves submetidas a baixas temperaturas ambientes sofrem alterações hemodinâmicas e vasoconstrição periférica, resultando em um baixo gradiente de temperatura entre a pele e o ambiente, reduzindo as perdas por convecção e irradiação (Muller, 1989; Yahav et al., 1998; Silva, 2000).
Na tentativa de resolver essas questões de ambiência, os aviários estão, atualmente, aparelhados com equipamentos de climatização, tais como: exaustores, nebulizadores, sistemas de aquecimento a lenha ou infravermelho a gás, painéis de controle, nos quais são programadas a temperatura e a umidade do ar para cada idade dos frangos, além de cortinado, forração.
Para fornecer calor e proporcionar conforto térmico às aves, no período inicial de criação, vários tipos de aquecedores têm sido utilizados; a evolução desses equipamentos se deu sempre na busca de uma forma melhor de transferir o calor com menor custo de energia (Moro, 1995).
Conto (2003) acrescenta que eficiência de transformação da energia contida no combustível em energia térmica e as perdas envolvidas nos processos de transmissão de calor, devem ser preponderantes na determinação de um ou outro sistema de fornecimento de calor. Experimentos demonstram que pintinhos de corte necessitam receber calor suplementar, na ordem de 3 a 4 kcal h-1, para cada ave.
Segundo Abreu & Abreu (2002), existem, basicamente, dois grupos de aquecimento para manter a temperatura ambiente dentro da região de conforto térmico das aves, o aquecimento central e o local. O aquecimento central se baseia no aquecimento relativamente homogêneo de todo o volume dos aviários, enquanto o local se baseia no aquecimento apenas da superfície do local em que se alojam os pintos, sendo um processo bastante eficiente, em termos de economia de energia.
Abreu et al. (1998) citam que o aumento do preço do gás fez com que as indústrias procurassem novas alternativas para fornecer calor às aves, propondo um sistema de aquecimento automático a lenha, que consiste em soprar ar quente para dentro do aviário através de uma turbina e distribuído por um sistema de tubulações, colocado ao longo do aviário; este sistema diminui os gases tóxicos dentro do aviário, com melhor controle de temperatura; o sistema trabalha com energia renovável, podendo o produtor gerar o próprio combustível bastando, para isto, possuir um programa de reflorestamento.
Objetivou-se, com o presente trabalho, avaliar o sistema de aquecimento automático infravermelho a gás e o sistema de aquecimento automático a lenha, em relação ao desempenho zootécnico de frangos de corte quanto à conversão alimentar, mortalidade, peso das aves e consumo de ração, e determinar o consumo específico de energia de cada sistema de aquecimento e o seu custo, em uma agroindústria avícola, nas linhagens Ross 1, Ross 2 e Cobb.
Download estudo completo: Avaliação energética e de desempenho de frangos com aquecimento automático a gás e a lenha (1401)